ESTABILIDADE:

 

Estabilidade, para uma embarcação, é a capacidade de restaurar seu equilíbrio inicial após uma perturbação qualquer. Pode-se verificar, por exemplo, qual, entre duas embarcações tem mais estabilidade, observando qual retorna mais rápido à posição inicial ou suporta maiores ângulos de adernamento (inclinação).

Como esta capacidade das embarcações de reagir a uma perturbação e a velocidade desta resposta dependerão da forma da parcela submersa do casco e da distribuição do seu peso, a distribuição do peso da embarcação nos permite determinar o seu centro de gravidade (CG), que é o ponto onde se pode considerar que todo o peso (P), esteja aplicado. A forma do volume submerso de uma embarcação nos permite determinar o seu centro de flutuação (CF), que é o ponto onde todo o empuxo (E) estaria sendo aplicado.

Para verificarmos a estabilidade de uma embarcação, fazemos um estudo das Curvas Cruzadas de Estabilidade, dela retiramos meios para traçarmos uma Curva de Estabilidade Estática e, com esta, podemos observar se o navio atende ou não às normas internacionais da IMO para estabilidade. Este estudo ainda é feito na fase de projeto, onde o que se faz é desenhar a Curva de estabilidade estática (CEE) da embarcação.     Estando ainda em uma fase preliminar do projeto, utiliza-se um esboço da forma e uma estimativa do peso e do centro de gravidade.

E, à medida que o projeto vai evoluindo em seus detalhes ( forma, estrutura, compartimentação, sistema de propulsão, etc ), vai-se monitorando a estabilidade através de atualizações da CEE. Essa é a boa prática de projeto e colabora para evitar surpresas no final.

Neste relatório, faremos um estudo deste processo de verificação da estabilidade segundo os critérios da IMO, International Maritime Organization.

Os critérios da IMO aqui utilizados são os referentes à estabilidade intacta, resolução: A-740 (18)- Code on Intact Stability for All Types of Ships Covered by IMO Instrument. O critério da IMO exige que o navio atenda as seguintes exigências (capitulo 3, parágrafos 3.1.2.1 a 3.1.2.4), para a análise de estabilidade estática:

 

*                A altura metacêntrica inicial, GMo, não pode ser menor que 0,15 m;

 

*                A área mínima para a curva de estabilidade estática (CEE) entre os ângulos de 0 a 30º( ângulos de inclinação transversal) deve ser maior ou igual do que 0,055 m*rad e não pode ser menor do que 0,09 m*rad para os ângulos  de 0 até 40º;

 

*                A área mínima de curva de estabilidade estática (CEE) entre os ângulos de 30 a 40º não deve ser menor 0,03 m*rad;

 

*                O braço restaurador mínimo para o ângulo de 30º ou mais deve ser maior do que 0,02 m;

 

*                O ângulo mínimo para ocorrer o GZ máximo deve ser, de preferência, acima de 30º, mas não pode ser menor do que 25º;

 

*                Severe wind and rolling (critério de vento e balanço);

 

Os navios do tipo PCTC (Pure Car Truck Carrier) têm características muito peculiares, como proa altamente escavada, bulbo fino e alongado, grande área vélica, ausência de área transon e formas afiladas abaixo da linha d`água. Todas essas características reunidas dificultam a alocação de carga, praça de máquinas e, em última análise, condições de estabilidade.

 

Para o estudo da estabilidade ao longo desde relatório, utilizou-se o programa HIDROMAX, do pacote MaxSurf, o qual, segundo o manual, utiliza os critérios citados acima. Foi requisitado que se verificasse a estabilidade intacta e a avariada.

Na condição de estabilidade intacta, foi verificado a condição de 100% de carga e 100% de consumíveis, e depois 10% dos consumíveis, mais obviamente peso leve do navio. Ao gerarmos a estabilidade verificou-se que a embarcação foi aprovada em todos os critérios, conforme pode ser conferido pelas saídas do programa HIDROMAX (saídas), lembrando que esse arquivo .txt também fornece um output em gráficos que constará no corpo de trabalho a seguir.

 

Condição 100% de carga e consumíveis:

 

 

 

                                                

Condição 100% de carga e 10% de consumíveis:

                
                                                             
 
Para a análise de estabilidade em avaria, foram considerados primeiro somente os tanques de costado dulpo separadamente e logo em seguida avariamos os tanques de costado duplo mais os compartimentos internos. 
Foi verificada também a estabilidade quando em alagamento do pique tanque de vante em combinação com cada compartimento de carga. E, por fim, os tanques de fundo duplo.
Todas as condições geradas de avaria foram aprovadas nos critérios para Damage Stability, porém, por questões de espaço, vamos mostrar somente as condições mais críticas:
 
 
Avariando todo o fundo duplo:

 

 

Avariando todo o costado duplo:

 

 

Avariando todo o convés de fundo duplo de carga mais os tanques de costado duplo:

 

 

 

Avariando todo o terceiro convés de carga mais os tanques de costado duplo:

 

 

O segundo convés não foi avariado pois se localiza muito acima da linha d`água.

 

A seguir serão avaliados em avaria, separadamente cada um dos compartimentos definidos, sendo que cada situação de alagamento levou-se em conta o alagamento também do costado duplo.

 

 

Avariando o compartimento 1 + costado duplo:

 

 

 

Avariando o compartimento 2 + costado duplo:

 

 

Avariando o compartimento 4 + costado duplo:

 

 

 

Avariando o compartimento 5 + costado duplo:

 

 

Avariando o compartimento 7 + costado duplo:

 

 

 

Avariando o compartimento 8 + costado duplo: